quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Músicas que me traduzem I

 

Dormi no molhado
do Grande Moreira da Silva
 

Eu quando vejo um rapaz
Na sua idade estendo a mão
Dele não tenho compaixão

Porque não me conformo ver um homem de talento não querer trabalhar
Sempre no me dá, me dá

Eu também já passei fome, já sofri não morri,
estou aqui vivo e são
e ninguém vai dizer que não
eu já andei atrapalhado, já andei afanado, mas nunca pedi um tostão

Acho que estou com a razão

Eu enfrentei uma marreta na pedreira são Diogo
Quebrando pedra roliça
Passando a pão e a linguiça

Dormindo no Cais do Porto no meio da sacaria
onde rato dormia
onde ventava e chovia




Quando o dia amanhecia vinha o chefe da limpeza
chogando agua fria

Vejam só como eu saia
sem café e sem cigarro
sem saber aonde ia,
sem tostão e sem vintém,
mas nunca pedi a ninguém




Cortei asfalto na linha,
fui vendedor de galinha,
carreguei cesto na feira,
eu fui garçom de gafieira

comia numa tendinha que só fritava sardinha
com azeite de lamparina
eu só cheirava a gasolina,

fui peixeiro e carvoeiro,
quitandeiro
fui bicheiro
apanhei como ladrão
mas não mudei de opinião
e como sou caprichoso
hoje me sinto outro homem
até já mudei meu nome

Pois me disseram até que eu virava lobisomem.


Opa! Esse aí é o Lobichomem!


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