quinta-feira, 19 de maio de 2016

Minha Experiência na Marinha Mercante I



Minha outra lembrança mais antiga de uma ocupação foi de quando eu fui da marinha.
Na verdade, não exatamente da marinha. Fui de um navio cargueiro, comecei limpando o convés e terminei como cozinheiro.

Pra dizer a verdade, e acho que agora posso falar sobre isso sem ter medo de ser preso, o navio não era um cargueiro oficialmente falando... esqueçam esses navios grandes, confortáveis e bonitos. Esqueçam petroleiros e graneleiros.

Servi em apenas um navio, o Yamato-gata Senkan.



Era uma embarcação de 82 pés e 2 conveses. O que significa que ela tinha 25 metros e dois andares... quer dizer, tinha o tombadilho e a parte de baixo, onde guardávamos as porcarias que transportávamos. Além do castelo de proa... bom, deixa eu ver se acho uma foto e se meu neto de 9 anos pode me ajudar fazendo um áudio-visual pra facilitar pra vocês de entenderem.


Agradecimentos ao meu neto, Fedelho Murrinha da Casa da Rua de Baixo

Deu mole, Malandro.
Da próxima vez faz que nem eu: Corre!
Consegui esse emprego quando eu estava passeando (vagabundeando) pelas docas do Rio de Janeiro, na Praça XV. Na época a polícia andava pra lá e pra cá botando no xilindró qualquer um que fosse pego sem fazer nada na rua (a antiga prisão por vadiagem).  Por volta de 1937 até 1945, quando o Getúlio Vargas era o Presidente, criaram a lei da vadiagem. Num país cheio de falta de trabalho, a polícia garfava os desempregados. Até hoje ainda tem policiais que cismam de querer levar gente no camburão para "averiguação"... se bem que hoje em dia acho que seria até melhor fazerem mais isso.  Nunca vi tanto vagabundo mal intencionado por aí...

Bom, quando eu vi dois policiais vindo na minha direção, saí correndo e me enfiei em um navio que estava sendo carregado. Pra fugir da prisão pedi pelo Amor de Deus que o cara do barco que parecia ser o chefe pra me acobertar. Ele concordou e me mandou me esconder no deque coberto. Acabei pegando no sono... e quando acordei estávamos em alto-mar...

Foi assim que me tornei membro da Marinha Mercante.

Claro que pra combinar tratei de fazer logo umas tatuagens...  Sorte que todas elas saíram com água um tempo depois...

(continua...)

Eu e o Tonhão, meu tatuador da época.

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